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contador de vizitantes inicio dia 20/10/2008
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CONTOS SOBRENATURAIS Bom, sempre tive uma dúvida, porque sempre acontece essas coisas de sobrenatural na maioria das vezes, quando a gente é criança? Pois bem, isso aconteceu comigo quando tinha uns 7 anos, estava eu e minha família no interior, aqui no Amazonas, era epoca de Natal e sempre tinha uma festa em um vizinho distante, pois as casas desse municipio são na maioria das vezes distantes uma da outra. A festa era a noite e nossos pais todos iam, e nos ficariamos sozinhos em casa, só os primos e primas. Estavamos todos brincando e quebra-cabeça, dominó, essas brincadeiras de criança. Não lembro mais ou menos que horas era, só sei que de repente ouvimos um barulho lá fora, como se fosse alguém chegando. Pensamos que era o caseiro, só que nessa hora ele tinha ido deixar nossos pais lá na festa, e a festa era bastante longe.A casa onde estavamos tinha 3 divisões, era uma coisinha bem pequena, um quartinho e uma sala bem grande, e todos nos estavamos na sala, pensamos logicamente que seria nosso primo xxxxx, pois ele tinha passado um tempo por lá, e sabia muito mais das coisas de que nós, e também era um pouco mais velho, mas ele também estava lá com a gente. Sei que de repente, esses barulhos entram na casa de uma forma muito rápida, e quando ouvimos lá dentro, todo mundo se arrepiou e todos foram ficar dentro de suas redes com muito medo. Lembro eu que não sobrou rede pra mim, pois todos foram muito rápidos, e me escondi debaixo de uma cama velha que dava de lado pra porta de entrada dessa sala onde estavamos. E o barulho foi se aproximando mais e mais, quando percebemos o barulho tinha virado pegadas, e foi se aproximando mais e mais, lembro que escutava meus primos todos chorando nas redes e eu também, só que era um choro reprimido, pois não queriamos fazer barulho, só ouviamos os sussuros nossos, quando de repente, esse barulho para em frente a sala, quase me mijo de tanto medo. Ouvimos ele caminhar na sala inteira. Eu, com muito medo, também tentei observar se era alguém que queria fazer medo pra gente, só que não tinha ninguém, não tinha sombra, era como se fosse uma pessoa invisível. Ela caminhava pela sala normalmente, pois as tábuas dos pisos iam até em baixo e subiam como se fosse uma pessoa obesa. Quando andava, fazia barulho de passos. Eu ouço meus dois primos que estavam na rede começarem a rezar bem baixinho, era até a reza Ave Maria, só que eles não conseguiam terminar. Aquilo foi passando e passando, não tinha como saber quanto tempo durou, pois não tinha noção de tempo, era muito pequeno e não lembro. Mas aquilo que aconteceu com a gente foi como uma noite inteira, lembro que quando nossos pais chegaram, estava eu todo sujo de teia de aranha em baixo da camaOutra coisa que não esqueço. Em uma manhã, estava eu e minha prima passeando lá no quintal, e fomos ver se pegavamos umas cuieras (árvore amazônica), quando ouvimos um baruho de dentro do buraco que tinha nela, como se fosse um mugido de uma vaca, ai falei: - Você ouviu isso? Ela disse que deveria ser uma vaca lá no nosso campo, ai falei pra gente chegar mais perto do buraco, e fomos, quando chegamos bem pertinho, a árvore soltou um barulho muito grande, como se relmente tinha algo, como se fosse uma vaca, só que muito alto, parece engraçado mais foi muito assustador, uma árvore gritar! Saimos correndo como se fossemos loucos. Conto da Estrada MalditaEra madrugada, quando ele passava por ali. Achou estranho, de fato, uma estrada que apresentasse uma mata tão fechada e densa, logo ali naquela parte da cidade. Pensou que deveria ser muito bonita pela manhã, mas àquela hora parecia mais uma ponta para o castelo de Nosferatu, ou algo parecido.Quanto ao Nosferatu, não conseguia tira-ló da cabeça, havia escutado Cradle of Filth o dia inteiro antes de sair de casa de sua amiga naquela tarde, e isso exaltara seus sentidos obscuros. A temática vampírica da banda combinava perfeitamente com aquele retrato grotesco da estrada, pensou ele.Pensou também em ligar o rádio, e curtir um terror com acompanhamento musica naquele momento, mas a notícia na estação inicial chamou a atenção.Parecia que estava captando o chamado de um carro de polícia, logo provavelmente ele estava ali por perto. Parecia relatar um príncipio de incêndio, mas após uma espécie de zumbido metálico a mensagem cessou.Assustado, desligou o rádio e continuou dirigindo, agora com um desejo incomum de de chegar em casa. Logo depois, não precisou rodar muito para ver algo que o perturbou.Dois carros parados, diabolicamente paralelos, foi a visão que teve, naquela estrada nebulosa que não tinha fim. Ficou parado uns instantes, perplexo sem saber o que fazer.O carro da frente era uma viatura, com a sirene ainda ligada e uma das portas abertas. A estrada estava semi-bloqueada, logo, após muito êxitar, resolveu dar uma olhada.No carro de polícia não havia nenhum restício humano por mais que procurasse. Apesar disso, o rádio estava com a frente estourada, e naum reproduzia mais do que um fraco zumbido.Já do carro de polícia teve uma tenebrosa visão do outro carro. Duas pessoas pareciam estar paradas cada uma em um banco. Foi até lá e abriu a porta do moterista.A esta altura não aguentou de medo. Um grito estridente ecoou por toda floresta, ou bosque, ou sejá lá o que fosse aquele amontoado de árvores que beiravam a estrada.As duas pessoas no banco da frente estavam mortas. Eram cadáveres de fato, tinham os pescoços cortados e as faces pálidas, o sangue ainda cheiravam a um frescor escarlate. Era um casal, e tinham uma expressão horrorizada no rosto.Já o rosto de nosso amigo remetia às mais misturadas sensações e sentimentos humanos que alguém poderia sentir. Tudo, a floresta, o sangue ,o cheiro a música, que ainda ecoava em sua cabeça, sem contar o choro...Nesse ponto até ele se surprendeu. De onde viria um choro àquela altura. Com muito receio, espiou o branco traseiro. Era uma criança, embrulhada em um casaco amarelo.A criança possuía uma imensa cabeça, o que provocou nele até um princípio de risada, afinal notar algo assim numa situação como aquela só podia ser mesmo digno de um sádico, ou qualquer coisa que o valha.Logo depois dessas reflexões bizarras, a realidade cai à tona, e correu para abraçar a criança e em um movimento repentino, que não deve ter durado mais do que alguns segundos, enfiou-se no carro junto da criança e numa manobra brusca e arriscada desviou da barreira de carros que bloqueava a estrada.-Criança, o que aconteceu? Aquelas pessoas eram seus pais? Por favor, sei que é dificil, mas você tem que me contar algo. Era algum assasino, estrupador, que diabos aconteceu aos seus pais?A criança agora não chorava mais. Nosso amigo viu no retrovisor aquela criatura transformar seu choro, primeiro numa expressão do mais puro e inocente terror, depois no mais pasmo e medíocre estupefamento, e ainda na mais sárcastica gargalhada que já ouvirá.Antes que ele pudesse entender algo, a tal criança já havia sacado o punhal do casaco, amarelo por fora, e vermelho, rubréo hemogoblimático por dentro, e enfiou garganta adentro do rapaz. O sangue jorrava no volante, e a faca lambuzada reluzia naquela noite escura, de lua encoberta pela densidade das árvores. A criança tirou o excesso de sangue, e guardal novamente sua arma letal no casaco, desatando, "inexplicávelmente", num choro ainda mais forte, esperando a sua sobremesa para aquela noite.Eu não conhecia nada mais deprimente do que ficar sozinho em casa, na época de natal. Longe dos amigos, longe da família. Desde o acidente ninguém mais aparecera, ninguém mais dera as caras. Nem mesmo uma árvore a piscar havia. A casa que eu amava estava largada, empoeirada, descuidada, só me causava tristeza. Minha filha, depois que se casou, pouco me visitara. Não gostava, sentia frio. Dizia que já sofrera o bastante, passando aqui anos de sua infância. Ninguém mais tinha interesse pela casa, apenas eu.Como que só para me desmentir, a porta subitamente se abriu. Foi algo tão inesperado que fiquei estático por alguns segundos, mas logo reconheci o intruso. Era Pedro, o marido de minha filha. Onde ela estaria? Ele entrou, acendeu as luzes e, displicente, largou uma mala em cima do sofá. Com o impacto, rapidamente formou-se uma nuvem de poeira, flocos flutuantes brilhando em várias cores. Pedro tossiu e começou a ofegar. Ávido, procurou no bolso da calça a bombinha e levou-a à boca, aspirando várias vezes. Pudera, uma casa abandonada não é exatamente um lugar apropriado para um asmático. Mas então... O que ele estaria fazendo aqui?Só podia ser! Tinha vindo atrás do dinheiro! Mas como descobrira? Eu nunca comentara sobre o cofre! Bem, se ele sabia que havia um cofre na casa, pelo menos não sabia onde fora instalado. Assim que melhorou, Pedro dirigiu-se a um lugar improvável, o quarto da bagunça — quase que um depósito.Fui atrás dele sorrindo, vitorioso. Se Pedro achava que seria fácil botar as mãos no meu dinheiro, estava completamente enganado. E por que a minha filha não tinha vindo junto? Não podia ser assim! E se ele escondesse uma parte, ou até mesmo tudo, e depois dissesse que nada havia? Não, não, aquilo não estava certo!Depois de procurar durante algum tempo em um dos armários, Pedro soltou um suspiro aliviado. Tinha achado uma boneca. A boneca de pano que minha filha mais gostava, aquela que não largava quando criança. Estava velha, é evidente, mas ainda bem conservada. Minha filha fora sempre uma menina cuidadosa. Natural, puxara ao pai.Eufórico, Pedro foi até a sala e tirou da mala um computador. Colocou-o em cima da mesa, conectou alguns fios à parede e depois ligou a máquina. Eu sabia o que ele queria fazer. Nos últimos anos, usara a Internet todos os finais de semana para ver e falar com minha filha. Ela não me visitava, era o melhor que eu podia arrumar.Sentia-me envergonhado. Duvidara de Pedro sem razão e não podia sequer pedir desculpas. Após o ruído característico, Pedro conseguiu a conexão e logo minha filha apareceu na tela, sua voz de menina a ecoar pela sala. Uma onda de pura felicidade transpassou-me, arrebatadora. Eu chegara mesmo a pensar que jamais a veria de novo! Ela estava um pouco mais gorda, rosada, os cabelos presos num rabo de cavalo. Também achei a imagem maior e mais definida do que a que eu estava acostumado. Seria apenas uma falsa impressão?Depois de falar sobre viagens e saudades, Pedro mostrou a boneca. Minha filha sorriu, docemente. Como quando ganhava um presente. E então sumiu da tela, para logo depois voltar. Desta vez carregava um bebê. Por um segundo a emoção me dominou. No instante seguinte, gritei como jamais havia gritado, surpreso, atônito, apavorado. Pobre de Pedro, se pudesse me ouvir: o susto o teria matado.Um espírito brilhante entrara pela janela e vinha flutuando devagar em minha direção, envolto por uma luz difusa. Usava um hábito de monge, mas ainda assim inspirava medo. Não era para menos, desde que eu morrera jamais vira outro espírito! Ninguém aparecera para me receber, ninguém viera me buscar. E em breve faria um ano! O espírito se aproximou e estremeci quando pude olhar nos seus olhos. Cheguei mesmo a pensar em fugir, mas ele baixou a cabeça num cumprimento, o que muito me acalmou. Depois olhou para a tela, curioso.— É a minha filha — expliquei, aliviado.— Encantadora — devolveu, sereno.Uma Última Visita Ele já havia morrido, mas continuava na casa abandonada Carlos Luz— E a criança que ela está carregando é, provavelmente, minha primeira neta — orgulhei-me.— Exatamente por isto estou aqui.— Como assim?— Agora que você já viu sua neta, chegou a hora de partirmos.Partirmos? Mas para onde? O que ele queria dizer com isto? E quem era ele, afinal?— Você é um anjo? — perguntei de repente, emocionado.O espírito abriu um largo e doce sorriso. Seus dentes eram perfeitos, seus olhos negros brilhavam.— Podemos dizer que sim — respondeu, misterioso.— E vou ter que deixar minha casa?— Não é mais sua casa, foi vendida. Mas não fique triste, você teve e terá muitas outras.Vendida? A minha casa? Vendida para quem? Pensei em perguntar, mas senti que já não era tão importante. Eu tinha dúvidas mais urgentes.— Vamos sair flutuando?— Claro! Você não gostaria de planar pelas ruas? Vistas do astral, as luzes de natal são ainda mais bonitas!Sorri para ele, pela primeira vez. Quem não gostaria, depois de quase um ano trancado em casa? Mesmo assim, continuava inseguro.— Você ficará comigo?— O quanto for preciso — tranqüilizou-me.Então um pensamento me assaltou, violento. Cheguei a tremer de excitação, ante a simples possibilidade.— Quão longe poderei ir?— Mais do que consegue agora imaginar.— E estamos com pressa?Por um longo instante achei que o anjo fosse dizer que sim, que não haveria tempo. Mas sua expressão desanuviou-se e ele tornou a sorrir, cúmplice, complacente.— Não, não estamos com nenhuma pressa.Virei-me então para a tela do computador e disse, como se ela pudesse me ouvir:— Espere por mim, filha. Já estou chegando.
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